Osteoporose e a importância da dieta mediterrânica na sua prevenção

Ago 29, 2025 | Artigos

Maria Amado Gonçalves

Médica Interna de Formação Específica de Medicina Geral e Familiar
Unidade de Saúde Familiar Quinta das Lindas | ULS Lisboa Ocidental

Carolina Reis Penedo

Docente Afiliada da NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas | Universidade Nova de Lisboa
Médica Interna de Formação Específica de Medicina Geral e Familiar Unidade de Saúde Familiar São Julião | ULS Lisboa Ocidental

A osteoporose é uma doença crónica que se caracteriza pela perda gradual de massa e resistência dos ossos, tornando-os progressivamente mais frágeis com o tempo. É uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como um problema de saúde pública, tendo em conta o envelhecimento populacional e a sua inevitável ligação com o avançar da idade e outros fatores de risco. Muitas vezes silenciosa, só se manifesta quando ocorre uma fratura, daí a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Quais são as causas para a osteoporose?

Existem várias causas que podem estar ligadas à osteoporose, dividindo-se entre causas major e minor, dependendo do seu grau de gravidade. Entre os mais frequentes, destaca-se a idade avançada (acima dos 65 anos), o sexo feminino (sobretudo após a menopausa), a existência de fraturas anteriores ou de história familiar de fraturas da anca. O uso prolongado de determinados medicamentos, como os corticoides, e hábitos como o tabaco e o consumo excessivo de álcool também contribuem para fragilizar os ossos. É importante reforçar que estes fatores aumentam o risco, mas a sua ausência não significa que a doença não possa surgir.

Como se faz o diagnóstico?

Tanto para rastreio como para primeira etapa diagnóstica, é frequente o seu médico utilizar a ferramenta FRAX®- validada em português – que calcula a probabilidade de fratura nos próximos dez anos em pessoas entre os 40 e os 90 anos. Dependendo do resultado, pode ser solicitada uma Osteodensitometria (DEXA) – exame específico que avalia a densidade mineral óssea. Com base no resultado e na avaliação global dos fatores de risco, o médico poderá ou não iniciar tratamento específico.

Prevenção: o papel da alimentação e do exercício

Na prevenção da osteoporose, a alimentação equilibrada e a prática regular de exercício físico são fundamentais.

No que diz respeito à alimentação, recomenda-se uma dieta rica em proteínas e em produtos lácteos, como leite, queijo e iogurte, que asseguram um bom aporte de cálcio e vitamina D, essenciais para a saúde dos ossos. Se alguma contraindicação a estes produtos lácteos, poderão ser substituídos por bebidas vegetais fortificadas com cálcio, tofu fortificado com cálcio, vegetais de folha verde (couves, pak choi) ou ainda diversos frutos secos (sésamo, chia). A dieta mediterrânica, conhecida como tendo por base frutas, legumes, leguminosas, azeite e peixe, tem demonstrado benefícios claros na proteção da massa óssea.

Quanto à atividade física, devem ser privilegiados os exercícios com carga, como a caminhada rápida, a corrida ligeira ou o treino com pesos, que ajudam a fortalecer os ossos e a aumentar a massa muscular. É igualmente importante incluir exercícios de equilíbrio e coordenação, como yoga ou pilates, que reduzem o risco de quedas — uma das principais causas de fraturas.

A saúde dos ossos constrói-se ao longo da vida. Cuidar dos ossos é cuidar do futuro.

Referências:

  1. https://www.who.int/westernpacific/articles/item/simple-ways-to-prevent-osteoporosis
  2. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10214060/
  3. https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/121924/2/346659.pdf
  4. https://worldosteoporosisday.org/resources/risk