Catarina Lourenço
Médica Interna de Formação Específica de Medicina Geral e Familiar
Unidade de Saúde Familiar Linha de Algés | ULS Lisboa Ocidental
Carolina Reis Penedo
Docente Afiliada da NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas | Universidade Nova de Lisboa
Médica Interna de Formação Específica de Medicina Geral e Familiar Unidade de Saúde Familiar Linha de Algés | ULS Lisboa Ocidental
O sarampo é uma doença altamente contagiosa que é causada por um vírus, que se transmite de pessoa para pessoa através do ar – a pessoa infetada liberta o vírus ao tossir, espirrar ou até mesmo ao falar.
Os principais sintomas são: febre, mal-estar geral, rinite/coriza (nariz entupido ou a pingar), tosse, conjuntivite (inflamação dos olhos) e erupção cutânea (manchas na pele). Embora possa parecer uma doença inofensiva quando afeta crianças saudáveis e adultos vacinados, o sarampo pode causar complicações graves, sobretudo em crianças pequenas, mulheres grávidas, pessoas com o sistema imunitário comprometido, idosos e adultos não vacinados. [1,2]
As complicações mais preocupantes são a pneumonia, que é responsável pela maioria das mortes em crianças infetadas pelo sarampo, a encefalite e as consequências fetais durante a gravidez. A encefalite consiste na inflamação do encéfalo (parte do sistema nervoso central que inclui o cérebro) e é uma complicação rara mas grave, podendo causar sequelas neurológicas permanentes ou até ser fatal. Quando uma mulher grávida desenvolve sarampo, o vírus pode afetar diretamente a gravidez e o desenvolvimento do bebé, podendo causar problemas graves ou a sua morte dentro do útero.[1,2]
O tratamento do sarampo é sintomático, isto é, apenas alivia os sintomas, pois não existe tratamento específico contra o vírus. Porém, existe uma forma eficaz de nos protegermos – através da vacinação. A vacina é segura e eficaz conferindo proteção duradoura. [2,3] Em Portugal, a vacina contra o sarampo é gratuita e faz parte do Plano Nacional de Vacinação, sendo administrada em conjunto com as vacinas contra a rubéola e contra a parotidite epidémica numa única vacina (VASPR), em duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 5 anos de idade.[4]
Quando pensamos na importância da vacinação é também importante considerar o conceito de imunidade de grupo – isto significa que, quando mais de 95% da população se encontra vacinada contra o sarampo, o vírus não se consegue propagar facilmente, prevenindo a sua disseminação e ajudando a proteger os mais vulneráveis, como crianças com idade inferior à da vacinação e pessoas que, por diversos motivos médicos, não possam receber a vacina.[3]
Nos últimos anos, tem-se verificado uma diminuição das taxas de vacinação na Europa, o que parece estar a pôr em causa a imunidade de grupo, permitindo uma maior circulação do vírus, com riscos para a saúde da população.[1] Em 2024 foram confirmados 35 casos de sarampo em Portugal, contrastando com os anos de 2022 e 2023, em que não foram identificados casos. A maioria dos casos confirmados correspondiam a pessoas que não estavam vacinadas ou que não tinham o esquema vacinal completo.[5,6]
Num mundo onde as fronteiras são cada vez mais próximas graças aos meios de transporte e à mobilidade global, a vacinação é a única forma eficaz de nos protegermos contra esta doença evitável.
Se tiver dúvidas ou preocupações sobre esta ou outras vacinas, fale com um profissional de saúde.
Bibliografia
- Parums DV. A review of the resurgence of measles, a vaccine-preventable disease, as current concerns contrast with past hopes for measles elimination. Med Sci Monit. 2024 Mar 13;30:e944436. doi:10.12659/MSM.944436.
- Gans H, Maldonado YA. Measles: Clinical manifestations, diagnosis, treatment, and prevention. In: Hirsch MS, Kaplan SL, editors. UpToDate [Internet]. Waltham, MA: UpToDate Inc.; 2025 [atualizado a 15 jan 2025; citado a 7 jul 2025]. Disponível em: https://www.uptodate.com
- World Health Organization. Weekly epidemiological record = Relevé épidémiologique hebdomadaire. 2017 Apr 28;92(17):205–28. Disponível em: http://www.who.int/wer
- Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional de Vacinação 2020 [Internet]. Lisboa: DGS; 2020 set. Disponível em: https://www.dgs.pt
- Direção-Geral da Saúde. Boletim Epidemiológico n.º 27: Atividade epidémica do sarampo em Portugal – 2024 [Internet]. Lisboa: DGS; 2024 jul 12 [citado 2025 jul 27]. Disponível em: https://www.dgs.pt/em-destaque/boletim-epidemiologico-n-27-atividade-epidemica-do-sarampo-em-portugal-2024-pdf.aspx
- Público. Dois anos sem casos: Portugal registou 35 casos de sarampo em 2024 [Internet]. Lisboa: Público; 2025 mar 17. Disponível em: https://www.publico.pt/2025/03/17/sociedade/noticia/dois-anos-casos-portugal-registou-35-casos-sarampo-2024-2126293
